Em vários posts aqui do blog, nós comentamos como a Espanha é repleta de paisagens naturais e monumentos históricos deslumbrantes. Porém, você sabia que muitos deles, além de encantarem turistas e locais com sua beleza, também estão incluídos na importante lista dos patrimônios da UNESCO?
Pensando nisso e considerando a relevância deste projeto para a preservação da herança cultural e natural do planeta, vamos começar mais uma série especial. Desta vez, ela se focará em apresentar todos os locais da Espanha que estão presentes neste distinto grupo.
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O que são os patrimônios da UNESCO
Antes de tratarmos sobre os três primeiros representantes espanhóis, vale a pena dar um passinho para trás e conhecermos a iniciativa que gerou todo esse movimento. Afinal, o que é um patrimônio da humanidade e como ele é escolhido?
O início de tudo aconteceu em 1972 quando a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) adotou a “Convenção para a Proteção do Patrimônio Mundial, Cultural e Natural” em sua 17ª edição da Conferência Geral, chamando os países a se comprometerem com o documento bem como com seu objetivo central de preservar a herança cultural e natural do mundo.
Para isso, não somente foram criados o Comitê e a Assembleia Geral do Patrimônio Mundial como também uma lista com locais provenientes de diferentes partes do globo, mas que detinham como ponto comum o fato de serem tão relevantes para a vida e história da humanidade que seu impacto transcendia as fronteiras de seus países e se colocava como uma herança pertencente a todos os habitantes do mundo.
Com o passar dos anos, o órgão solidificou sua influência internacional ao mesmo tempo em que reformulou sua estrutura interna de modo a expandir sua definição de patrimônio para que pudesse promover uma seleção mais abrangente, considerando também representações culturais que não necessariamente se encaixavam no escopo clássico/tradicional. Ao fazer isso, a lista de Patrimônios da UNESCO decolou, sendo que atualmente conta com 1199 propriedades.
Para ser alçado ao posto de patrimônio da humanidade, é preciso primeiro que o país, além de ser um Estado-membro da UNESCO, faça uma solicitação de candidatura do local a ser considerado. Depois, ele segue para a fase de avaliações, momento este quanto um grupo de especialistas analisa se o local em questão atende a pelo menos um dos critérios elencados pela organização. Em caso positivo, o pedido é aceito e o então candidato se torna oficialmente um patrimônio da humanidade. No caso da Espanha, Alhambra e Generalife foram um dos primeiros a entrarem para a lista da UNESCO já em 1984. Albaicín, por outro lado, foi adicionado apenas em 1994 como uma expansão da candidatura original. De acordo com a organização, os três foram aceitos, pois atendem a critérios como:
- representam uma obra-prima da genialidade e criatividade humana
- mostram um testemunho único de uma tradição cultural ou de uma civilização que lá reside ou que desapareceu
- são exemplos notáveis de um tipo de construção ou conjunto arquitetônico que ilustra um período significativo da história da humanidade
Assim, vamos ver em mais detalhes como são estas obras e o porquê de elas serem tão significativas.
Alhambra
O complexo palaciano de Alhambra é provavelmente o monumento mais visitado da Espanha e um dos principais cartões-postais do país. Para além de sua popularidade entre os visitantes, este palácio-fortaleza também se figura como o mais imponente e bem preservado exemplo da arquitetura hispano-mulçumana da Idade Média. Residência do sultão do reino de Nasrida e de sua corte, Alhambra tem o formato semelhante a um navio, sendo composta por extraordinários 740 metros de comprimento e 220 de largura, além de ser rodeada por muralhas de 1.730 metros.

Wei Hunag via Unsplash
Se a opulência do exterior já é de cair o queixo, o interior de Alhambra a torna ainda mais espetacular, já que conta com uma série de alas ricamente adornadas e bem diferentes entre si, das quais se destacam Alcazaba (seção mais antiga do complexo), os Palácios Nasridas, os jardins de Partal e o palácio de Carlos V (este último, uma adição já da época da Reconquista cristã).
O local pode ser visitado ao longo de todo o ano, sendo possível desfrutá-lo tanto em passeios diurnos quanto noturnos. Contudo, recomenda-se verificar estas informações no site oficial já que pode ocorrer algumas alterações de horário dependendo da época. Atualmente, os ingressos variam de 7 a 20 euros por pessoa.
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Generalife
Nos arredores de Alhambra, outro belíssimo monumento da arquitetura Nasrida se sobressai no horizonte. Trata-se de Generalife, palácio construído entre os séculos XIII e XIV que tinha como principal função servir como um cantinho de refúgio para o sultão e que foi igualmente reconhecido como patrimônio da UNESCO em 1984.

Peter Lorber via Wikimedia Commons
Tendo em vista que foi construído para ser uma residência rural, Generalife possui uma considerável área reservada a hortas, pastos e cultivos. Por outro lado, conserva dentro de si a majestade dos palácios típicos de Al-Andalus com seus jardins, pátios e lagos ornamentais que juntos são capazes de transmitir a sensação de estar em um pequeno pedaço do paraíso na terra.
As visitas à Generalife também podem ser feitas ao longo do ano, sendo muito comum pacotes que o incluem junto a outros passeios em Alhambra.
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Albaicín
Por fim, nosso post de hoje termina com Albaicín que, como dito anteriormente, não estava na solicitação original e foi incluído na lista da UNESCO somente após uma expansão em 1994.
Antigo bairro de Granada e localizado muito próximo ao complexo de Alhambra, Albaicín fez parte da corte da dinastia Zírida no século XI e é considerado o último reduto muçulmano antes da queda da cidade para as tropas cristãs durante a Reconquista. Famoso por suas casas pintadas de branco e suas vielas estreitas, Albaicín é uma perfeita mescla das culturas mulçumanas e cristãs granadinas que floresceram durante a Idade Média e são visíveis ainda hoje graças a monumentos como a igreja de San Nicolás em estilo mudéjar, resquícios da antiga muralha que protegia a região, a Puerta Elvira que marca a entrada do bairro ou a sua rede de aljibes (cisternas subterrâneas).

Mihael Grmek via Wikimedia Commons
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Sem dúvidas, fazer um passeio a estes três patrimônios é uma experiência incrível que dá aos visitantes a oportunidade de conhecerem um pouco da vida de nobres e plebeus durante o período de Al-Andalus.
Esperamos que tenha gostado do post de hoje e da nossa nova série. Em breve, traremos mais patrimônios espanhóis extraordinários para você conhecer!
¡Hasta luego!