A Torre de Hércules, o símbolo de La Coruña

Quase 2000 anos é o tempo que esta torre já observou da história da civilização moderna, principalmente da construção do que hoje é a Espanha. A Torre de Hércules, construída, provavelmente entre os séculos I e II d.C., é cercada de lendas. Seu primeiro nome foi Farum Brigantium, ou o Farol de Brigantium, um antigo povoado romano que fica onde hoje é La Coruña.

Em 2009 a torre foi declarada Patrimônio da Humanidade, mas ainda assim existe um patrimônio imaterial não declarado, rico em sua essência e contexto histórico: as lendas.

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A lenda de Breogán

A mais antiga das lendas que envolvem a região corresponde à mitologia celta que envolve um antigo rei da Galícia, Breogán, que ergueu uma torre tão alta que um de seus filhos pôde ver as terras Irlandesas além mar, que depois tentou-as conquistar. A torre descrita na lenda não tem localização precisa. Historiadores acreditam que possa se tratar da antiga Brigantium, na Espanha ou Trás-os-Montes, em Portugal. Também não há evidências da ligação comprovada entre a Torre de Breogán e a Torre de Hércules.

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A Lenda de Hércules

A lenda mais aceita data do século XIII, cujo o primeiro a documentá-la foi Rei Alfonso X,  que a registrou em seu livro Estoria de España, tida como a primeira Crônica Geral da Espanha.

A torre teria sido construída ao mando de Hércules em honra ao gigante Gerión que reinava região. O gigante maltratava seu povo cobrando metade de tudo o que produziam, inclusive seus filhos. Em uma batalha de 3 dias, Hércules venceu Gerión e cortou sua cabeça.

Com o povo liberto do controle de Gerión, Hércules ordenou a construção da torre-farol sobre o túmulo do gigante e funda uma cidade e dando-lhe o nome de Crunia, em memória da primeira mulher a habitar o local, a qual o herói esteve enamorado. A lenda é retratada no brasão de La Coruña com a torre o rei enterrado sob ela.

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A torre romana

Deixando um pouco de lado as lendas, esta construção é a única torre-farol romana que continua em funcionamento até os dias de hoje. Também o único que tem seu engenheiro conhecido, que fora Caio Sevio Lupo.

A torre sofreu muito com o passar dos séculos, sendo parcialmente destruída. Entre os séculos IX e X o farol já não reluzia mais sobre as águas noturnas do mar, mas ainda assim guardava sua relevância ante as tripulações diurnas que cruzavam por ali, tanto que o antigo povoado de Brigantium, passou-se a chamar de Faro.

Já na Idade Moderna, século XVI, a Torre de Hércules passa por reformas. Isto pois a época foi de intenso comércio marítimo entre a Europa e as Américas. Foi então que o antigo farol passou a aparecer novamente nas cartas náuticas, inclusive das cartas inglesas, que eram potenciais inimigos da Espanha à época.

O torre ainda passou por mais mudanças e melhorias. Seu topo, onde se encontra o lume do farol, não é como o original romano. No século XIX ganhou um sistema moderno de refletores para que fizesse melhor a função às embarcações na navegação noturna.

Hoje a Torre de Hércules continua sendo um símbolo forte da cultura da Galícia e de La Coruña e está rodeada de arte, além do vasto mar azul do Atlântico.


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